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Cobertura do hall dos cinemas do Shopping Müeller

PIRÂMIDE DE VIDRO

Com 16 metros de altura , a pirâmide de vidro projetada para a cobertura da nova área do Shopping Müeller, em Curitiba, tem pilares inclinados de transição, que distribuem esforços para quatro colunas de sustentação, revestidas com chapas de aço inoxidável.
Com a implantação de oito salas de cinema e novas áreas de lazer, o shopping Center Müeller, o primeiro a ser inaugurado na capital paranaense, na década de 1980, insere-se no padrão dos novos centros de compras que privilegiam a entrada de luz natural através de coberturas envidraçadas, oferecem amplos espaços destinados a eventos e salas de exibição de filmes no formato multiplex.
O projeto de criação dos cinemas teve como base um plano de expansão cujo principal condicionante era o edifício ser um patrimônio histórico , sem capacidade de expansão na área construída.
A solução encontrada pelo arquiteto Adolfo Sakaguti foi desativar o estacionamento, localizado no piso G3, para a implantação das salas e construir um edifício-garagem, para suprir e aumentar o número de vagas. Os dois prédios são interligados por uma passarela panorâmica .
Projetadas pela Entarco, as salas da rede Cinemark (que chegou ao Brasil em 1997) atendem a 2 224 espectadores. Para o desenvolvimento do projeto, o arquiteto considerou limites rígidos de área e volumetria, uma vez que a instalação dos novos espaços significou aumento da carga estrutural. Após a avaliação de fundações e estrutura do andar, para verificação de sobrecargas adicionais, foram definidas as intervenções e os reforços das vigas, através de cabos de proteção externos.
Estrutura da cobertura
Transformado no centro de entretenimento do shopping center, o antigo andar de estacionamento passou a abrigar as salas e o hall do cinema, lojas, foyer e um lounge, totalizando 8930 metros quadrados construídos . Uma cobertura zenital, composta por uma pirâmide com prolongamentos longitudinal e transversal, permite a entrada de luz natural até o subsolo, além de marcar os acessos centrais do pavimento de lazer.
Instalados sobre o foyer, os prolongamentos longitudinal e transversal da cobertura têm origem na segunda base da pirâmide. A faixa de vidro no sentido longitudinal tem 38,24 metros de comprimento por 4,38 metros de largura; transversalmente, ela apresenta 12,88 metros de comprimento por 4,48 metros de largura. Nesses elementos, a estrutura metálica curva , concebida com perfis T produzidos com aço ASTM A36, recebeu vidros facetados laminados refletivos de 14 milímetros, na cor prata.
Para a instalação dos vidros foi prevista uma estrutura secundária de alumínio . Sobre ela foram instalados caixilhos produzidos com perfis de alumínio com pintura eletrostática na cor branca, dispondo de sistema de encaixes e fixações para garantir a estanqueidade do conjunto. Os vidros foram colados com silicone structural glazing 3-017 e a vedação externa dos cantos feita com silicone de cura neutra.
Pórtico metálico
Instalada em vão de 16 metros, a cobertura projetada pela Plancton é um pórtico metálico composto por quatro colunas de sustentação, quatro pilares inclinados e uma estrutura curva que vence o vão. Os pilares inclinados , que formam os vértices da pirâmide, efetuam a transição das cargas para as colunas. O pórtico metálico foi fabricado com perfis de aço ASTM A36, com acabamento epóxi na cor branca.
Produzidos com uma seção composta por perfis T e circular, os pilares de transição recebem esforços da pirâmide e os distribuem para as colunas de sustentação, que redistribuem as cargas para a estrutura do prédio. Fabricadas com perfis H, as colunas foram revestidas com chapas de aço inoxidável escovado . No processo de calandragem, as chapas foram divididas em dois semicilindros para facilitar a montagem e, depois, fixadas na estrutura metálica da coluna.
Pilares com junções articuladas tanto na parte superior como na inferior facilitaram a montagem da pirâmide.
“Na parte inferior, os pilares inclinados são fixados através de engastes soldados nas colunas. Na superior, onde eles se aproximam para começar a formar a ponta da pirâmide, foi adotada uma peça rígida metálica – um anel quadrado de compressão -, instalada a um metro da ponta da pirâmide. Com 2,25 metros quadrados, o anel de compressão tem a função de aproximar e unir os pilares. Para dar acabamento à ponta da pirâmide, desenvolveu-se um elemento de fechamento externo com 1,50 metro de altura que se sobrepõe ao anel”, explicam os engenheiros Luiz Perez Filho e Carlos Masayuki Harima, da Plancton.
fechamento externo , feito com painel de alumínio composto, está sobreposto e fixado no anel de compressão.

Texto de Gilmara Gelinski | Publicada originalmente em Finestra na Edição 39

https://arcoweb.com.br/finestra/arquitetura/adolfo-sakaguti-arquitetos-cobertura-do-13-01-2005